Investimentos

Itaú realiza sua reunião anual com investidores

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No dia 12 de setembro de 2018, o Itaú realizou mais uma conferência com seus investidores (Apimec 2018). O evento foi bastante interessante, com vários membros da diretoria explicando um pouco sobre a visão do setor e expondo as várias iniciativas implementadas.

O ponto mais abordado por todas as áreas foi o desenvolvimento de tecnologias. O banco tem investido pesadamente em inovações como análise de dados (‘data analytics’) e inteligência artificial. Como exemplos, citaram um projeto que vai automatizar de vez o depósito de cheques usando inteligência artificial, no qual acreditam que irá reduzir em até 90% o custo desse tipo de transação.

A tecnologia veio para ficar, desde o atendimento ao cliente e agências digitais até a análise de crédito, assistência ao fluxo de caixa das empresas e gestão de riscos.

Com relação ao crescimento, a diretoria afirma que estão preparados para uma retomada da economia, sendo que o banco tem folga para voltar a crescer sua carteira de crédito. Fora do Brasil, devem continuar se expandindo pela América Latina, mas vale ressaltar que as operações nos outros países não são tão rentáveis quanto no Brasil.

Chamou a atenção o discurso de que a diretoria tem seus interesses alinhados aos dos acionistas. Destacaram que a própria diretoria tem uma boa parte de sua remuneração em ações do banco, sendo que estas possuem um período de ‘vesting’. O período de ‘vesting’ significa que os diretores não podem vender suas ações no curto prazo, fazendo com que o foco da administração seja o melhor para o longo prazo. De acordo com o diretor de Relações com Investidores, há períodos de ‘vesting’ de até 8 anos.

Todos os diretores insistiram bastante na ‘geração de valor’, em que tratam o capital do acionista com cuidado. Para isso, cada projeto que analisam deve trazer um retorno acima do custo de capital, que estimam estar em 14,5% ao ano. Ou seja, caso um projeto não tenha expectativa de retorno acima desse nível, preferem distribuir dividendos do que crescer em negócios menos rentáveis. Uma tabela bastante interessante foi elaborada com base na geração de valor de cada produto:

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Fonte: Apresentação Itaú para investidores

Por essa tabela, é possível identificar a rentabilidade de cada segmento, além de sua contribuição para o valor do banco. Chama a atenção o ROE¹ recorrente no segmento crédito, de 14,5%. Como o banco afirma que seu custo de capital é de 14,5%, significa que esse segmento praticamente não cria valor.

O real valor do banco é gerado na linha de “Seguridade e Serviços”, o que mostra que a clássica operação de emprestar dinheiro não é um negócio tão bom, mesmo com as taxas de juros no Brasil em patamares bem acima de outros países.

Por fim, houve uma discussão sobre o capital do banco. No sistema bancário existem regras e indicadores de risco, no caso o índice de Basileia. O índice mede o colchão de capital do banco para sustentar seu risco. Quanto maior o índice, mais coberto o banco está. Atualmente, a regra do Banco Central é de um capital nível 1 de, no mínimo, 9,5%. Em 2017 o Itaú estava com esse indicador em 16% e hoje está em 14,2%. Internamente, consideram que o mínimo capital necessário é de 13,5%.

Essa diminuição de 16% para 14,2% é saudável e passa uma importante mensagem. Em tempos de expectativa de aumento de inadimplência, os bancos retraem a concessão de crédito e aumentam seus colchões, de forma a amortecer maiores prejuízos. Como se mostram confortáveis com o patamar de 13,5%, é um indicativo de que esperam menor inadimplência.

Índices de capital nível 1 do Banco Itaú

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Fonte: Apresentação Itaú para investidores

¹ Retorno Sobre Patrimônio Líquido

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